cinabre

Cinabre é um vermelho, um vermelho profundo, cor de sangue.

O nome químico do cinabre é sulfato de mercúrio (HgS). A obtenção do mercúrio a partir do cinabre, descrita por Teofrasto por volta do ano 300 a.C., teve grande importância na evolução da metalurgia, por causa de sua capacidade de dar coesão a ligas metálicas. É encontrado na natureza em forma de pedra ou cristal.
Os chineses usam o cinabre para fazer porcelana há três mil anos. A alquimia chinesa usava o cinabre (Yang) junto com o ouro (Ying) na preparação do Elixir da Imortalidade.
Já foi usado para pintar a unha de reis e como ruge e batom na corte de Cleópatra. O batom não foi uma boa idéia, já que o cinabre é venenoso se ingerido.
O cinabre foi considerado um material de luxo e de prestígio durante todo o império romano e na Idade Média. Segundo Plínio, a mais famosa mina de cinábrio que abastecia o povo Romano era a de Sisapo, na Bética. Não era permitida a purificação do minério no local, mas duas mil libras por ano eram levadas para Roma e em Roma era feita sua purificação. O preço de venda era fixado por lei, para que não fosse além de LXX sestércios por libra.
Na Grécia, o templo de Zeus e o Partenon eram pintados de vermelho, usando o cinabre. Para preservar as cores, fazia-se uma camada extra de cera púnica e óleo, colocada ainda quente sobre os pigmentos já aplicados nas estátuas e paredes.
Por causa do seu alto valor, o cinabre era freqüentemente adulterado com cal. Para testar sua pureza, queimava-se um pouco do cinabre em uma lâmina de ferro até ficar preto e depois aguardavam esfriar. Se a cor vermelha inicial retornasse, era puro.
É também o vermelho das iluminuras das bíblias impressas por Gutemberg, os primeiros livros impressos do mundo.
O xamanismo usa o cinabre como cura para diversos males, como infertilidade e fraqueza.
Já foi chamado de sangue de dragão. Os dragões lutavam com os elefantes e, claro, sempre ganhavam. Quando os elefantes caíam em cima de uma poça de sangue de dragão, esmagavam-na com seu peso e o sangue se concentrava e virava pedra.
O Tai-Chi chama de chakra do cinabre (Muladhara) um ponto na base da coluna que, pelo que pude entender, serve para a “supra-sexualidade”, coragem, sucesso e segurança.
A medicina chinesa usava o cinabre e o âmbar para relaxar os nervos.

Tyria jacobaeae é o nome científico da mariposa Cinabre, muito comum na Inglaterra.
O professor Adelino José da Silva d’Azevedo afirma que é do cinabre que se origina a palavra brasil. Kínnabar, kinnábari (latim cinnabar), era uma palavra celta que, no comércio com os fenícios, designava o tom vermelho de qualquer material. Forma-se da raiz kínn – que traduz a idéia de metálico e de rubro; e da partícula bar – sobre, em cima de, superior. Uma característica do celta era a próclise das partículas, em oposição à ênclise grega. Ou seja, o celta punha as partículas no fim da palavra, ao contrário dos gregos, que a preferiam no meio. Assim, kínnabar, kinnábari corresponde ao barcino, brakino, breazail. Quando, na Idade Média, o artesanato mediterrâneo passou a usar o corante vermelho vegetal, as populações ribeirinhas dedicaram-se ao comércio do pau-brasil. Portanto, o cinabre dá nome ao pau-brasil que, por sua vez, dá nome ao país.
Os totens indígenas do Pacífico deviam ser sempre, por questões religiosas, nas cores amarelo ou “vermelho sagrado”, que era conseguido a partir do cinabre.
Cryptanthus cinnabar é uma bromeliácea.
Cystoderma terreyi ou Cystoderma cinabre é um cogumelo raro e venenoso.
Na arte pré-histórica, as cores foram aparecendo na seguinte ordem: primeiro o vermelho de hematita, depois o vermelho de cinabre, então o amarelo de goetita, o branco de kaolinita ou gipsita, o azul e o verde, que vieram do cobre, o ocre do óxido de ferro e, por fim, o preto do manganês ou de cinzas.
As maiores reservas minerais de cinabre estão nas minas de Almadén, na Espanha.
Os zapotecas também pintavam, escreviam e esculpiam vermelho com cinabre. É deles a primeira escrita das Américas.
Era também do cinabre que vinha a tinta vermelha dos grandes pintores, como Vermeer e Van Gogh. A tinta de Vermeer, para ser sincera, é o grande motivador da escolha deste nome.